quinta-feira, 3 de julho de 2014

Utopia

Obi está tendo alguns sinais do estresse da mudança de ambiente e de alimentação (cocô meio mole, minha gente), aí ligamos para o abrigo pra saber o que ele estava comendo (tínhamos perguntado antes ao responder um sms perguntado como ele estava, mas sem resposta) e nos certificarmos de que o vermífugo estava em dia. Prontamente responderam e pediram para passarmos lá.

Tero foi lá depois do trabalho e, durante quase uma hora, ficou conversando com duas senhoras atenciosas e curiosas para saber sobre o Obi e sobre mim (todash quer saber de mim), e o Obi recebeu: vermífugos (embora esteja em dia), 2 pacotes de Royal Canin Sterilized (sim, é o que todos os gatos comem lá) de 800g, diversos sachês de comida molhada (sim, eles comem diariamente para evitar cálculos urinários) e umas 500g de galinha já cozida e picadinha (eles comem galinha ou salmão fervido diariamente).

Não sei muitos detalhes ou se o abrigo recebe alguma ajuda pública, só sei que uma das sehorinhas que nos atenderam é quem sustenta esse paraíso. Não bastasse, ela ainda me ofereceu um emprego lá (que ainda não posso aceitar porque estou esperando a imigração me dar o resient permit). Serei crazy cat lady oficialmente.


A realidade é tão distante que me dá um aperto de saber que, no Brasil, a imensa maioria dos protetores abrem mão de tudo para que seus animais tenham o que comer. E é uma luta diária.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Obi

OBI.  African.  From Ibo óbì, meaning "heart." (Anthropological Report on the Ibo-Speaking Peoples of Nigeria, Thomas, 1913).
  
Juuso foi encontrado na casa em que morava com mais 3 gatos, em outra cidade - Jungsund -, após seus donos se mudaram e os deixaram pra trás. Eles foram acolhidos pelo abrigo aqui de Vaasa chamado Vaasan Kissatalon, um paraíso para qualquer cat lady que se preze. 

A casa tem dois andares e dezenas de gatos. No andar de baixo eles ficam soltos, no de cima, ficam em 3 diferentes peças. É impossível escolher alguém! Eu ficava me imaginando ter que me justificar pra todos os outros porque escolhi um e não qualquer outro. Ainda bem que não precisei fazer isso.

Fomos na open house que acontece todas as quintas-feiras, das 18h às 20:30, e assim que o Tero começou a conversar com uma das mulheres que estavam cortando o frango cozido que logo seria servido; por volta de 60 anos, um enorme corpo redondo, cabelos escuros, grandes óculos e com uma expressão muito amigável, outras duas vieram e eles ficaram conversando por alguns minutos. Tero me contou que estavam insistindo para que fôssemos conhecer um tal de gato cinza que estava em outra casa. Eu não entendi o porquê, mas como não fazia qualquer diferença pra mim de qual gato traríamos pra casa, lá fomos nós.

Juuso estava numa sala no segundo andar, sozinho. É possivelmente o gato mais carente que já conheci. Uma das duas mulheres que foi conosco até lá, uma moça tímida, falando inglês, com cerca de 20 anos, cabelo curto, preso e com algumas mechas cor-de-rosa, também muito redonda e de óculos grandes, terminou de contar a história dele: fora adotado há alguns meses, mas depois de 3 meses, o trouxeram de volta justificando alergias. Ele estava muito triste e carente, novamente no abrigo há algumas semanas,sentindo bastante falta de ter uma família. "Ele está desesperado para ter um lar", disse ela.

Bom, eu estava desesperada para ter um gato. E esse aqui é o Juuso Obi. :)





Ele tem cerca de 3 anos, está vacinado, castrado e desvermifugado. A taxa de adoção é de 100 € e só será cobrada após o período de adaptação de 2 semanas.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Spring

Das imensas diferenças climáticas, a primavera por essas bandas é tão gelada quanto o inverno gaúcho. Com o passar das semanas, aos poucos, a temperatura está aumentando e, em alguns dias, chega a passar dos 10ºC. A média fica nos 5ºC.

A gente decora no colégio que o RS tem clima subtropical com as quatro estações bem definidas. No contexto brasileiro, até acredito. Mas comparando com o clima daqui, o RS varia de frio a calorão, de chuvoso a seco, de mais florido a menos florido. Mas, no geral, o cenário é o mesmo. Em três meses aqui, o panorama mudou de completamente tapado de neve a cinza com uma graminha tímida e galhos secos (quando a neve derrete, mas as as folhas ainda não voltaram e a vegetação tá toda pelada), e agora quase tudo verde.

Logo no início da estação, ainda com um pouco de neve, pude ver as primeiras flores colorindo a paisagem. Estas mocinhas pequeninhas azuladas fazem uma grande diferença:

Tulipas de todas as cores e dentes-de-leão começaram a aparecer por todos os cantos logo em seguida. Mas a mais sensacional de todas é o lírio-do-vale, flor nacional da Finlândia:

Tudo lindo, tudo maravilhoso, tudo colorido como o mundo a Disney, se não fosse uma espécie demoníaca de árvore. *Música dramática de terror começa a tocar*


Absolutamente feroz, o vidoeiro-branco é um adolescente de 14 anos que acaba de descobrir o Redtube e tem apenas duas horas por dia livres para praticar o onanismo. Esse jovem rapaz precisa aliviar toda essa tensão hormonal durante esse pequeno período antes de sua mãe chegar do trabalho com a caçula da creche. O vidoeiro é impetuoso e não demonstra nem uma fração sequer de piedade. Dodô é violento, bárbaro, vigoroso e teve de se recolher no outono e dormir por todo o inverno e AGORA É A HORA. Dodô derrama sobre a cidade uma explosão do mais potente pólen jamais visto (por mim, é claro). 

Eu não tenho alergias ou problemas respiratórios de qualquer tipo e estou com coceira pelo corpo, olhos inchados, nariz escorrendo, espirros constantes e rosto ardendo porque Dodô está enlouquecido se reproduzindo.



sábado, 12 de abril de 2014

Name Day

Em todo calendário finlandês, em cada dia, há alguns nomes de pessoas. É uma tradição medieval que existe em vários países (e que eu nunca tinha ouvido falar) chamada Dia do Nome e aqui, por mais que nada de especial aconteça, vale ao menos teu nome no calendário e um "parabéns". 

E, para minha surpresa, tem um dia para Juliana!!!! :D Que na versão finlandesa fica Juliaana.

Eu até me certifiquei se não tinha um protocolo a seguir, como dizer meu nome para alguém, escrever em algum livro com lista de nomes ou usar um crachá, mas não, é só olhar no calendário e ver teu nome ali mesmo.

Bom, por mais banal que seja, me senti incluída.

Aqui tem a lista, procura e descobre se tem teu Name Day também!

segunda-feira, 17 de março de 2014

30 days

Balanço dos 30 dias aqui na Finlândia:

* O leite e seus derivados são muito mais gostosos e saborosos, sem formol ou soda cáustica;
* Em andanças a pé, de carro e de ônibus, inclusive indo pra outra cidade, encontrei apenas 2 buracos no asfalto, ambos na mesma rua;
* Ninguém usa batom vermelho, e pessoal fica encantado quando eu uso;
* Bebês e crianças me amam;
* Todo mundo me percebe, mas o caras encaram sem muito pudor, mesmo quando estou de mãos dadas com o Tero - SUCESSO!;
* Existem poucas farmácias, e, sem receita, tu consegue comprar apenas ibuprofeno, paracetamol e meia dúzia de outros remédios bobinhos. Além disso, remédio é remédio, não importa pra quem, então há uma seção veterinária no mesmo estabelecimento;
* Os travesseiros são pequenos, quase metade do tamanho dos travesseiros no Brasil. Na cama, só é usado o lençol de baixo e uma capa para o edredon - que é sempre de solteiro; na cama de casal, há dois -, funcionando como o lençol de cima. Ainda acho estranho, mas evita roubos durante a noite hehehe e não precisa lavar o edredon inteiro, toda semana a capa é lavada com o resto da roupa de cama, só que sinto falta de me enrolar em edredon de casal;
* O trânsito é bem pacífico <3;
* Ninguém reclama de frio;
* Todo mundo usa ceroulas e ninguém fica de "hehehe";
* Existe o fenômeno da loira falsa invertida - as racha aqui piram na tinta preta, mas não retocam a raiz tão frequentemente quanto deveriam -, super achando que abafam;
* Falando em tintura, eu tenho vontade de pegar essa mulherada pelos ombros, dar uma sacolejada e dizer bem claramente: NOPE. NOPE. NOPE. É tanto cabelo manchado e maquiagem pesada e fora do tom da pele que dá muito nervoso;
* Cadê as renas??? :'( ;
* Baunilha, baunilha, baunilha;
* Duchinha na privada é vida;
* Dá pra separar todo o lixo e destinar cada material para o lugar certo, mas o lixo seco é queimado;
* É possível ganhar uma boa grana retornando latas e garrafas em máquinas automáticas nos supermercados e lojas de bebidas, uma garrafa de refrigerante, por exemplo, vale € 0,40;
* Água quente em toda e qualquer torneira é muita alegria na vida;
* O sol está bêbado e anda errado por este céu;
* A água gira ao contrário, e isso é bizarro;
* Tu mesmo tem que tirar a louça da mesa em qualquer restaurante ou café;
* Açúcar em torrões :D;
* Tem bicicletas por todos os cantos;
* Eu fico feliz quando acho pelos das minhas crianças nas roupas e nem quero limpar;
* Muitas saudades;
* Nunca me senti tanto "dust in the wind";
* Sou imensamente grata por estar vivendo tudo isso;
* O amor é transformador;
* A gente carrega nossos monstros para onde quer que a gente vá.

domingo, 16 de março de 2014

The trip inside the trip inside the trip

Então pegamos a estrada com destino a Virrat, cidade em que o Tero nasceu, para a festa de aniversário da Mira, irmã dele. Tinha essa expectativa gigante de conhecer a família e de a família me conhecer, mas fica pro outro post. Esse é sobre a viagem de ida e de volta, 3h cada.


Saímos de Vaasa ao entardecer, logo ficou escuro. Estrada à noite é bem entediante, não dá pra ver paisagem alguma, e ele só me dizia "Ah, tem um lago ali, mas não dá pra ver..", "Tem outro lago daquele lado, mas tá muito escuro.", "Ah, queria te mostrar a floresta!". 
Sem muita emoção mesmo... Porém três coisas me chamaram a atenção: tem um treme-treme-acorda-motorista na divisão entre as duas faixas para um "ACORDA, MALUCO", tem umas varetas com tinta refletiva na ponta a cada sei lá quantos metros ao longo de todas as estradas para indicar os limites (imagino que por causa da neve) e não tem buracos, nenhum, nada, zero.

Na volta, saímos de lá mais cedo, então pude curtir a vista. Que sensacional!!! É floresta e lago, lago e floresta. E pedras, muitas pedras, muitas mesmo. Há quem diga que elas vieram parar aqui trazidas pelo fim da Era do Gelo, há quem diga que foram gigantes que as arremessaram. Nunca saberemos a verdade, mas mesmo que não acreditem nessa teoria, é melhor tomar cuidado: há lendas que relatam que grandes aglomerações de pedras nas florestas são apenas gigantes dormindo. Mais sobre a mitologia finlandesa aqui.

A viagem seguiu (com parada em Tuuri, que merece um post exclusivo) e eu comecei a pedir pra o Tero ler as placas com nomes das cidades e traduzir seus significados. Ri bastante e treinei a minha pronúncia, mas, acima de tudo, eu enchi o saco. Mas eu enchi tanto que quando a gente chegou ele me mandou este link. Obviamente não tem todas, mas dá pra se divertir (principalmente tentanto pronunciar em voz alta).

quinta-feira, 13 de março de 2014

Food to heal body and soul

Tero está gripado desde sábado. Tudo começou aos poucos, com um pouco de dor de garganta e dor de cabeça, mas passou essa noite vomitando. Quando chegamos na casa da família dele, sua mãe ainda estava um pouco doente. Todos, começando pelas crianças, tiveram esse vírus from hell que atacou, também, o sistema digestivo.
Nem cócegas eu tive. Aparentemente meu sistema imunólogico construído em país de terceiro mundo não se abala por aqui. :D 
Passamos a noite acordados na função, mas já fomos ao médico, compramos um remédio daqueles horrorosos para repor sais mineirais e os ingredientes para a sopinha que cura o corpo e a alma, de tão gostosa:

3 batatas médias (em pedaços pequenos)
2 cenouras pequenas (em rodelas finas)
1/2 alho-poró bem-dotado (ui!)
1 molho de espinafre (só as folhas, picadas grosseiramente)
150 g de massa pequena (mais ou menos isso, coloquei umas 3 mãos cheias na panela)
sal
alecrim (bem pouquinho porque é ruim de comer, só pra dar um gostinho)
salsa e cebolinha (bem picadinhos pra colocar na hora de servir)

Não esqueçam que cada um tem seu próprio tempo de cozimento. Comece pelas batatas e cenouras, depois o alho-poró. Deixe uns 10 minutos e depois coloque o espinafre. Quando o caldo tiver uma corzinha e o alho-poró tiver desmanchado bem, coloque a massa. Desligue quando ela estiver cozida, não deixe virar gororoba. :P


Tero achou que seria comida de doente, mas experimentou a primeira colherada, abriu um sorriso e disse: "Hmmm, it's good! Very good.". Sopa foi testada e aprovada. :)
Ele conseguiu comer o prato inteiro e agora está dormindo. Até vi um pouco de cor de volta no rosto dele. Espero que fique bem logo.

quarta-feira, 12 de março de 2014

There and back again

Cinco dias numa cabana no meio da floresta, na beira de um lago, num vilarejo nos arredores de Virrat. Nunca fui tão feliz.
Tem família que me fez chorar com tanta doçura, festa com awkward moments e pitadas de Tourete, viagem dentro da viagem, minha primeira sauna, trago fantástico, floresta fofa, cisnes voando na noite, alerta de lobos, procura por alces, amigas no Skype, o bizarro mundo de Tuuri, inúmeras fotos e muitas histórias pra contar.
Amanhã eu posto alguma coisa, mas ainda estou procurando palavras para expressar a minha gratidão por ter vivido tanto amor e beleza, de todas as formas. Tudo absurdamente simples e imensamente fantástico.
Vou me esforçar ao máximo para descrever da melhor forma e tentar compartilhar o meu encantamento. Até lá, minha gente. :*

quarta-feira, 5 de março de 2014

The little adventure

Segunda-feira, 17 de fevereiro, sete dias após ter partido de Porto Alegre, cinco dias após ter chegado aqui, tive coragem para sair sozinha pela cidade. Conferi pelo Google Street View (muah pra vocês ;*) os pontos de ônibus em que deveria subir e descer, peguei o livrinho com os horários e trajetos dos ônibus, passaporte, dinheiro, câmera e saí.
Um tanto apavorada, outro tanto insegura, mas desesperada para fazer algo sozinha e não me sentir uma abobada dependente que só sai de casa de mão dada e com medo de abrir a boca pra dizer oi.

Lá fui eu desbravar Vaasa.

Desci no ponto certinho, e corri pro shopping porque era o que eu conhecia. Andei um pouquinho, vi algumas vitrines, mas não me senti à vontade. Estranha essa sensação de não pertencimento, de não reconhecimento, te tira qualquer segurança. Mas também te dá infinitas possibilidades: quando se tem um caminho certo, todas as alternativas são válidas.

As pessoas olham muito pra mim, eu fujo muito do padrão dessa gente lindamente loira e de olhos bem clarinhos. Isso me fez sentir ainda mais alienígena e estes pensamentos não me largavam: "todo mundo tá notando que não sou daqui, todo mundo tá notando que eu não entendo nada do que estão falando, todo mundo tá notando que eu não sei o que fazer".

Criei coragem e entrei em uma loja de esportes e comprei um gorro de lã. Fiquei um tempão por lá, mas consegui sair com o que eu queria, então eu já me senti mais capaz. Estava saindo do shopping quando dei de cara com uma loja de comida saudável a granel que o Tero tinha me apontado uns dias antes, quando tudo ainda me assustava bem mais, e não quis nem entrar. Tomei fôlego e fui. Ah, que sensacional! Tem de chá até soja, mas o mais legal é que tem feijão preto! :D Sim! Numa vibe Mercado Público meet boutique, comprei feijão, louro e soja. Na hora de pagar, como sempre, estava munida de dinheiro, inglês e sorriso. A caixa (provavelmente também proprietária) falou algo em finlandês, que obviamente entendi pica nenhuma, e eu pedi desculpas por só falar inglês, mas disse que ia tentar aprender. Pois ela me deu a resposta mais doce e gentil possível: "Também vou tentar, é uma língua tão difícil!". Me derreti, claro. Ela perguntou de onde eu era e jogou uma conversinha fora. Só amor. :)

Depois fui pra biblioteca principal - que lugar absurdamente lindo! -, tomei um café por lá mesmo e decidi que queria ir até a biblioteca onde o Tero trabalha. Ele me disse que ônibus pegar e onde eu deveria ir para isso, mas, como não anda de ônibus, não me falou onde eu deveria descer. Achei que era óbvio. Obviamente não era. Obviamente que desci num lugar randômico absolutamente nada a ver. Obviamente que me perdi. 


Sim, eu me perdi. De uma forma patética e nada a ver, eu me perdi. heuehueheuh

Daí em diante eu tinha apenas uma opção: pedir ajuda. O problema é que eu ainda não tinha comprado um chip pro meu celular, portanto eu estava incomunicável. E agora, José? Então era eu, ali, sozinha num país estranho, sem entender o idioma, sem telefone/internet. Caguei-me. Mas sem outra escolha, tomei coragem e decidi que falaria com alguém. O meu medo não era ficar perdida, já que, na pior das hipóteses, eu poderia pegar um ônibus de volta para o centro e de lá outro para casa. O problema é que os ônibus costumam passar a cada 30 min ou 1h, e, com exceção dos supermercados e restaurantes, as lojas fecham às 18h. Já era 17h30min e eu não sabia até horas eles circulariam. Então eu teria que tentar chegar na biblioteca mesmo. Não se esqueçam que é uma cidade pequena, não tem dezenas de pessoas passando o tempo todo. Tive que esperar um bom tempo até alguém passar e eu criar coragem. Até que foi - pedi ajuda para uma senhora, mas ela mal conseguia falar inglês. Com certo esforço de ambas as partes, ela conseguiu entender onde eu queria ir, mas não sabia dizer onde era. Só sorrisos, a senhora queria muito me ajudar e, ao ir embora, quando passou por uma moça que estava indo para a parada também, falou com ela para que tentasse me socorrer. Conseguindo se virar num inglês um pouco melhor, conseguimos nos entender. A boa notícia era que ela pegaria o mesmo ônibus que eu e a parada dela era depois da biblioteca. Ela até apertou o botão do ônibus e quase me levou pela mão até a porta. hehehehehe Gente muito fofa essa. 

Foi essa coisa boba - conseguir chegar na biblioteca em que o love trabalha - que me conseguiu me devolver um pouco da segurança que eu tinha em Porto Alegre (e que tem sido bem difícil de manter num nível aceitável). Por mais estranho e assustador que o mundo lá fora possa parecer, eu sempre vou poder contar com a gentileza de um povo que tem fama de ser tímido e frio, mas que apenas funciona numa dinâminca diferente. O que vi são pessoas empáticas e dispostas a ajudar, com o hábito de se abrirem apenas em âmbito privado, mas com um senso comum do que é viver em comunidade muito mais próximo do meu ideal.

No Brasil, todo mundo sabe da vida de todo mundo, mesmo não fazendo questão - o vizinho te encontra no corredor e te conta que a fulana do outro andar acabou com o namorado e já está com outro -, mas se tu tropeçar na rua e cair no chão, vão passar por cima e ainda reclamar que tu está atrapalhando o caminho. 

P.S.1: Está fora de ordem, sim, porque demorei milênios para terminar o post. :P

Sale! Sale! Sale!

Casaco de lã azul marinho:  € 16
Blusão de lã preto:  € 14
Golão de lã cinza:  € 5

E o resultado é eu divando no saldão de inverno finlandês.


Tá, o objetivo não é fazer editorial de moda, mas um monte de gente me pergunta sobre os preços por aqui. Esta foi uma maneira divertida de falar sobre isso ;)

segunda-feira, 3 de março de 2014

A tradition

Onde tem brasileiro tem o quê? Feijão com arroz.


O feijão eu comprei na lojinha de produtos naturais que encontrei no primeiro dia em que passiei sozinha (e que nunca termino de escrever o post), mas semana passada eu vi num supermercado em pacote de 1 Kg (até então só os enlatados BLERGHS).
O arroz eu comprei no super mesmo, mas foi complicado escolher porque todos vêm em caixas, então pra escolher o grão tem que ser por foto, e todo arroz é igual em foto. :/
Depois de um tempo, escolhi o jasmim e é bem o que eu queria - o "arroz branco".

Beijos e muito papá gostoso pra todo mundo.

domingo, 2 de março de 2014

Following the ancestors

Imaginem a minha frustração ao descobrir que não existe nhoque na Finlândia... FUEN.

Challenge accepted!

1 kg de batata (ferver e amassar)
1 ovo
1 colher de manteiga
sal
farinha (entre 1/2 kg e 1 kg, até a massa parar de grudar na mão)

É só amassar, amassar, amassar, amassar.......... até os braços caírem fora ou a massa parar de grudar, o que vier primeiro. Aí tem que fazer os rolos e cortar os pedacinhos, depois colocá-los em água fervente por uns minutinhos e tchanãããããm: NHOQUE NA FINLÂNDIA (ou em qualquer lugar que estiverem :D).



 Fiz com molho de tomate com manjericão da minha micro horta. Fantasticamente delicioso.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Shine bright like a diamond

Após oito dias aqui em Vaasa, foi o primeiro dia em que vi o sol. Raios tímidos vindo de lacunas azuis entre as nuvens que insistem em cobrir todo o céu.

Tudo muito legal, mas não valeria um post, não é mesmo? O que ninguém tinha me avisado é que, quando esses raios batem na neve caindo, o que temos, basicamente, é chuva de glitter. Eu achava que era efeito especial da Disney, mas é isso mesmo: um espetáculo tão gay e tão mágico que eu corri (depois de colocar muitas camadas de roupa) pra floresta procurar um unicórnio. 

E andar na neve fofa tem prazeres para todos os sentidos, sendo o mais incrível deles ter a sensação de estar pisando numa imensa caixa de Sucrilhos - a cada passo faz *crunch, crunch*.


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Brigadeiro de Paçoca

Aqui vai a dica para ganhar os gringo tudo:

1 lata de leite condensado
100 ml de creme de leite
1 colher de margarina
100 g de paçoca
300 g de paçoca para confeitar os docinhos





P.S.1: siiiim, tem leite condensado na europa e é igualzinho
P.S.2: o creme de leite não é igual ao brasileiro (30-40% de gordura), mas esse é o melhor substituto (10% de gordura)
P.S.3: a paçoca eu trouxe comigo, mas logo vou tentar fazer :)

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Bichinhos lá de fora

Da janela da minha casa, no Centro de Porto Alegre, eu podia observar um pouco da flora local: morcegos, gatos e cachorros de rua, passarinhos (inclusive alguns papagaios), dezenas de insetos, ratos e baratas, imensas e desprezíveis baratas (aqui não classificadas como insetos, mas como monstros que são). 
Aqui a vida não é tão diversificada: vejo um pássaro preto com cinza bem grande (depois descubro o nome) e esquilos, graciosos e ligeiros esquilos que pulam de uma árvore para a outra fazendo a neve acumulada cair.




P.S.1: o galinhão voador é uma gralha-cinzenta.
P.S.2: o que eu tinha à mão era o iPad mesmo, sem zoom, meu povo, mas eu juro que tem um esquilinho na árvore central.


The galaxy's hitchhiker

Olá, gente linda.

Depois de dormir por dois dias inteiros, cá estou para contar um pouquinho da jornada de cinco aeroportos e quatro voos em 36 horas.

Salgado Filho - Porto Alegre: o ar-condicionado nunca dá conta, poucas telas para acompanhar os voos, quase nenhuma cadeira, nenhum funcionário pelo saguão para te auxiliar. Na sala de embarque tem uns "postinhos de pvc" com tomadas para recarregar todas as nossas tranqueiras eletrônicas. WiFi? HAHAHA

Galeão - Rio de Janeiro: me fez engolir tudo o que disse do Salgado Filho. Está em reformas e tu anda por corredores sem luz, no cimentão, umas partes sem forro no teto, vários funcionário só olhando a obra (qual a novidade, né?), pilhas de material, escadas rolantes "em manutenção" (aí tu tem que carregar mala pra baixo e pra cima), funcionários na "praça de alimentação" de péssimo humor completamente indignadinhos porque tu não sabe exatamente o que tem nos alimentos, já que só têm os nomes e nenhuma descrição (ok, em Porto Alegre o pessoal do restaurante também é bem estúpido). WiFi? HAHAHA [2]

Charles de Gaulle - Paris: Basicamente, é uma cidade. E não uma cidade qualquer, mas uma linda, moderna, bem decorada, organizada e completamente preparada para o que se propõe. Tem telas em todos os cantos com todos os voos, muita sinalização de que terminal tu está e como fazer para chegar em outro, "trem-bala" para fazer o transporte. O teu cartão de embarque tem um código parecido com um de barras e todos os funcionários possuem um scanner, então quanto tu pede informação, eles gentilmente fazem a leitura e te informam para onde tu precisa ir e como fazer para chegar lá. O café-restaurante que fui tem várias opções disponíveis, aposto que todo mundo consegue achar alguma delicinha ali. Fiquei pouco tempo por ali e nem procurei lugar para recarregar as tranqueiras. WiFi de graça por 15 minutos, depois é preciso pagar. Se tudo der errado, vou virar homeless vadiante do Charles de Gaulle. :P

Helsinki Airport - Helsinki: Eu já estava em clima de fim de festa, pouco aproveitei. Dei só uma voltinha, mas é incrível também. Todo bonito, organizado, sinalizado, e funcionários gentis e prestativos. A cada 200m (mais ou menos, né, não sou boa nisso) há uma ilha com poltronas e 8 tomadas para recarregar a parafernália eletrônica. E o mais incrível é o nicho com quatro poltronas super confortáveis com apoio para o laptop, tomada e proteção lateral pra oferecer privacidade. A WiFi é gratuita e ilimitada, puro amor.

Vaasa Airport - Vaasa: Depois da satisfação de não ter morrido no teco-teco do Casablanca, nem de ter sido interrogada pela aeromoça da KGB, finalmente, e absolutamente exausta, cheguei num aeroporto bem pequenininho e que só estava esperando o meu voo chegar para fechar hueheuheuheuheuheue Foi aventuresco.

Bom, é isso. Tou na Finlândia. =}